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Father and Child, (Kim Roberti) |
Por Jean Pierre Chauvin (Em memória de Pierre Chauvin)
Feito veia exposta,
Artéria deixada solta,
Ou razão submersa
Aquela bica d’água
Mal se escondia
No plano granítico
Era domingo, pai e filhos:
Dia de esfregar e molhar o carro
Utilitário para maior coesão
Assim reaprendíamos o orgulho
Dos pequenos feitos coletivos
Embarcávamos no auto, envaidecidos
De volta à casa, um dos três pensava:
Aquele veio subtrairia toda a água do mundo?
Água sem fim, fixaria o meio de que provinha?
Daria a bica conta da sede do universo?
Quantos carros tomariam o posto de assalto?
Curso, recurso, teria aquela água um fim?
Aquela cicatriz movente, metáfora de domingo
Não comportava a ideia de sepulcro;
Mas, incerto dia, a terra virou prédio,
Os três lamentamos a mina extinta,
O fim das alegres jornadas sobre rodas,
(Primeira má ideia de especulação imobiliária)
Aquele rio, sem serventia para usina,
Era máximo, pois que soletrava família
Aquela bica, hoje vejo, é memória de meu pai.
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